sábado, 28 de dezembro de 2013

Viola Spolin, vida, obra e pensamento/Comparação entre a metodologia de Viola Spolim e a Música



Viola Spolin nasceu dia 07 de novembro de 1906 em Chigago, e faleceu dia 22 de novembro de 1994 em Los Angeles, teve apena um filho Paul Sills que seguiu seus passos profissionais.
Sua primeira formação foi para ser assistente social, trabalhou junto aos imigrantes de Chicago na Neva Boyd's Group Work School (Escola de Formação de Trabalho de Grupo de Neva Boyd), entre 1924-1927 e nesse tempo, o trabalho inovador realizado por Boyd nas áreas de liderança, recreação e trabalho social, a partir da estrutura tradicional dos jogos, influenciaram fortemente Spolin.
Spolin é autora de inúmeros textos para improvisação, e sua primeira obra foi o livro improvisação para o teatro, que foi traduzido por Ingrid Koudel e Eduardo Amos publicado pela editora perspectiva, e assim como este, todos os seus livros estão publicados no Brasil por essa mesma editora.
Entre 1939 e 1941, Spolin trabalhou como diretora dramática para a seção de Chicago do projeto do trabalho de administração progressiva recreativa, e a partir daí ela sentiu necessidade em criar um método que atendesse com mais facilidade aquele trabalho e que pudesse cruzar as barreiras étnicas e culturais na sua aplicação.
Em 1946 Spolin fundou a Companhia dos Jovens Atores em Hollywood, onde crianças a partir de seis anos foram treinadas pelo seu método jogos teatrais, que ainda estava em desenvolvimento. Essa companhia fechou em 1955, pois Spolin voltou para Chicago para dirigir o Clube Teatral de Dramaturgos, passando a conduzir também ensaios de jogos com o Teatro da Busssola, que foi a primeira companhia de teatro improvisacional.O Teatro de Bussola se torna uma das principais companhias de teatro da América do Norte.
Em um pequeno teatro próximo a Universidade de Chicago, no verão de 1955, surge uma nova forma de comédia chamada teatro improvisacional.
Em 1960 e 1965 Spolin trabalhou com seu filho, o também diretor de teatro Paul Sills, ainda em Chicago.
Em 1963, publicou seu primeiro livro, Improvisação para o Teatro, que se tornou referencia para educares e professores de interpretação.
Ainda em Chicago, no ano de 1965, ela funda juntamente com seu filho Sills, o Jogo Teatral, onde a plateia interage diretamente com os jogos, eliminado a barreira que existia entre atores e espectadores, esse trabalho não durou muito tempo, após alguns meses esse teatro foi fechado.
Em Los Angeles, nos anos de 1970 e 1971, Spolin foi consultora para a Companhia teatro História de Paul Sills. Ajudou também a preparação da série de televisão Friends ond Lovers.
E em 1979 ela ganhou o titulo de Doutora Honoris Causa, pela Universidade de Michigam.
Em 1975 publicou O Fichário de Viola Spolim, em 1976 ela fundou o Centro de Jogos Teatrais, em Hollywood, onde atuou até 1990 como diretora artística.

O Jogo
Segundo viola Spolim, o ator aprende por sua própria experiência e através da espontaneidade, onde o ator escolhe intuitivamente as melhores soluções para resolver qualquer problema cênico,  aprendendo assim por meio de sua própria experiência e experimentação.
Sendo assim a espontaneidade é a condição essencial para a aquisição da técnica no teatro, portanto, Spolim defende o Jogo, que é que é o processo natural para criar o ambiente propicio para induzir essa mesma espontaneidade. Spolim diz:
O objetivo no qual o jogador deve constantemente concentrar e para o qual toda a ação deve ser dirigida provoca espontaneidade. Nessa espontaneidade, a liberdade pessoal é liberada, e a pessoa como um todo é física, intelectual e intuitivamente despertada. Isto estimulação suficiente para que o aluno transcenda a si mesmo – ele é libertado para penetrar no ambiente, explorar, aventurar e enfrentar sem medo todos os perigos. A energia liberada para resolver o problema, sendo restringida pelas regras do jogo e estabelecida pela decisão grupal, cria uma explosão – ou espontaneidade – e, como é comum nas explosões, tudo é destruído, rearranjado, desbloqueado. (Spolin, 1998, p.5)


Sendo assim Spolim ressalta a importância da técnica, desde que ela venha seguida através de um conjunto de espontaneidade, pois dessa forma o ator vai saber se expressar de forma natural fazendo um bom uso da técnica.

Comparação entre a metodologia de Viola Spolim e a Música

Segundo Spolim, todas as pessoas são capazes de aprender e atuar, todas são capazes de criar e improvisar, sendo assim todas as pessoas são capazes de serem valorizadas no palco.
Tanto a pessoa “média quanto a “talentosa”, podem ser ensinadas a atuar, é necessário apenas que as técnicas usadas sejam significativas para o aluno, para que assim ele possa assimilar o conteúdo.
Dentro do teatro o aluno deve experenciar, ou seja penetrar no ambiente que eles está inserido, é envolver-se totalmente com ele, é necessário um envolvimento físico e intuitivo, principalmente o intuitivo que normalmente é negligenciado no processo ensino e aprendizagem.
Quando a resposta a uma experiência se realiza no nível do intuitivo, quando a pessoa trabalha além de um plano intelectual constrito ela está realmente aberta para aprender.
Pensando nessas ideias, podemos perceber o quanto essa filosofia pode ser comparada com o ensino da música.
Dentro da música há também um grande trabalho em cima da criatividade e da improvisação fazendo com que o individua tenha liberdade na hora de se expressar, utilizando-se do seu sentimento e intuição mais profunda. Suzuki diz em seu método que toda criança é capaz, nessa citação ele diz:
Não considero um grande talento como uma possibilidade apenas para pessoas excepcionais. Toda pessoa criada para isso, treinada para demonstrar talento, tem condições para tanto, bem como potencial.(Suzuki,1994,p.35)
Nós temos de praticar e educar nossos talentos, isto é, repetir as atividades até que elas aconteçam naturalmente, fácil e simplesmente. Esse é todo o segredo.Quanto mais praticarmos, melhor estaremos. Assim nasce o talento. (Suzuki,1994,p.43)


Podemos entender então, que independente da área, qualquer pessoa é capaz de aprender, desde que o conteúdo seja transmitido de forma dinâmica e significativa para o aluno, para que dessa forma ele possa se apropriar e usa-la de forma espontânea e criativa no seu desenvolvimento, adquirindo a técnica necessária para sua atuação na área, ou apenas para o seu crescimento pessoal e social.

Referências
De CHIARA, Jussara_O Sistema de jogos teatrais de viola Spolin
http://www.spolin.us/aboutus/ Acesso em 24 de março.

Holesgrove, Thomas:Técnica e Espontaneidade: uma comparação das obras de Jerzy Grotowski, Viola Spolin e Kristin Linklater (Universidade de São Paulo, Escola de Comunicação e Artes, doutorado.)

                                                                                                                         
                                                                                                                               Alessandra Martins

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